Acordou tardiamente como sempre.
Espreguiçou-se pela força do hábito, pois nada considerava importante a
ser feito.
O olhar rabugento conferiu o ambiente assegurando-se que não havia
novatos ou intrusos no pedaço. Os demais participavam da mesma letargia.
Assim estava bom. Sem ousadia de novidades ou desafios entediantes.
A alimentação estava garantida, pois o pastor já havia despejado o volume
de ração mais do que suficiente na manjedoura e no prolongamento da rotina,
conferira as cercas do redil.
Nada a temer.
Talvez até porque ninguém se interessaria por aquele bode velho.
Aliás. Todo o pequeno rebanho aparentava ser uma excursão da terceira
idade em jogo de bingo e não um grupo de discípulos. Carne que causaria náuseas
em qualquer demoniozinho por mais faminto que estivesse.
Ocasionalmente, alguma das irmãs paria um ser, e que pelo exemplo,
adotava o comportamento dos demais.
Quando acidentalmente alguma nova ovelha aparecia no rebanho, chifradas
e coices rapidamente corrigiam qualquer intenção de ação.
Ninguém mais sabia das pradarias verdejantes e do ar revigorante das
montanhas.
O murmúrio de águas frescas dos riachos foi substituído pelo cocho de
água feito de pneu – ecologicamente correto.
Ao pastor cabia o orgulho de vários anos de bons serviços prestados em
manter o rebanho em paz.
(Mateus 10:35)
OUCH! Um socão no estômago... pena que poucos conseguem SE enxergar nessa história... tenho pensado MUITO nisso ultimamente. Obrigada por compartilhar Otto.
ResponderExcluirKaren Kondlatsch
Escrevi porque tenho visto MUITO disso ultimamente. A forma equivocada na liderança de grupos cristãos - que deveriam estar se exercitando fora dos apriscos - usando gesso ao invés da Palavra e do exemplo dado por Jesus na formação de discípulos.
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