Com
recursos muito modestos na minha infância, brincar exigia imaginação em
constante “faz-de-conta”. Certamente isso fomentou minha capacidade criativa
resultando num saldo positivo.
Entretanto,
a forma exacerbada que o brasileiro vive o fictício que inicia antes da própria
história do país, não é brincadeira e compõe um cenário ilusório onde sempre
alguém sai perdendo.
Os
portugueses fizeram de conta que descobriram o Brasil por acaso – ou será que
Pedro Álvares realmente era português
e conseguiu errar tanto o rumo em sua navegação?
Professores
fazem de conta que ensinam essa história.
Os
alunos fazem de conta que aprendem.
A
maioria dos políticos faz de conta que representa o povo em suas
reivindicações.
O
governo faz de conta que administra o estado com responsabilidade.
A
polícia faz de conta que não sabe onde está o bandido.
O
bandido faz de conta que é bem sucedido e eternamente impune.
O
rico faz de conta que vive bem e feliz.
Os
crentes fazem de conta que creem em Deus.
Os
céticos fazem de conta que Deus não existe.
O
presidente faz de conta que está presente.
O
comércio faz de conta que papai noel é a figura principal do natal.
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