segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Faz de conta


Com recursos muito modestos na minha infância, brincar exigia imaginação em constante “faz-de-conta”. Certamente isso fomentou minha capacidade criativa resultando num saldo positivo.
Entretanto, a forma exacerbada que o brasileiro vive o fictício que inicia antes da própria história do país, não é brincadeira e compõe um cenário ilusório onde sempre alguém sai perdendo.
Os portugueses fizeram de conta que descobriram o Brasil por acaso – ou será que Pedro Álvares realmente era português e conseguiu errar tanto o rumo em sua navegação?
Professores fazem de conta que ensinam essa história.
Os alunos fazem de conta que aprendem.
A maioria dos políticos faz de conta que representa o povo em suas reivindicações.
O governo faz de conta que administra o estado com responsabilidade.
A polícia faz de conta que não sabe onde está o bandido.
O bandido faz de conta que é bem sucedido e eternamente impune.
O rico faz de conta que vive bem e feliz.
Os crentes fazem de conta que creem em Deus.
Os céticos fazem de conta que Deus não existe.
O presidente faz de conta que está presente.

O comércio faz de conta que papai noel é a figura principal do natal.

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