Avistei um burro branco estacionado ao lado da escola na localidade de
Felipe Schmidt, quando lá cheguei em abril de 2014 para instalar uma antena para
internet via rádio.
Uma semana depois voltei ao local a fim de substituir um equipamento
que apresentou defeito e realinhar a antena e novamente o burro estava lá, ao lado da
escola.
O equipamento em mau funcionamento estava na secretaria da escola, onde em uma das paredes havia uma foto aérea da escola, tirada em fevereiro de 2008. E na foto, o
burro branco estava lá!
Inteirado do sistema de avanços progressivos e dos direitos de
inclusão, conclui que pelo tempo de frequência à escola, o burro já deveria ter
concluído o ensino fundamental e como qualquer indivíduo, desobrigado de passar
constrangimentos em comprovar algum aprendizado, aprovado e portanto apto ao ensino médio e superior.
De fato, o burro é superior ao cavalo em seus conhecimentos. O cavalo
quando relincha, limita-se à letra i-i-i-i-i-i, enquanto o burro, com 100% a
mais no conhecimento, esnoba seu característico i-hóó, i-hóó, i-hóóó.
Imagine então como se sentem bem alguns animais que sabem falar (como
Jar Jar Binks, um Gungan dos pântanos de Naboo em Star Wars).
Da ficção ao nosso redor pouco muda, e na maioria das vezes quem muito
fala, muito demonstra sua ignorância. O
silêncio do deserto ensina muito mais do que um tagarela.
E no silêncio, solitário ao lado da escola, lembrei que o burro branco
à exemplo de seus semelhantes citados na bíblia estava em melhor condição de
perceber o anjo do Senhor, ou desprovido de ocupações científicas, transportar
o Mestre seja na sua fuga para o Egito como na entrada triunfal em Jerusalém.


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