Num dia frio de inverno as mãos enrijeciam com a ação do vento e porcas
que eu usava para a construção da torre por vezes caiam. E não era possível
visualizá-las do alto. E nem valia a pena descer para procurá-las.
A distância com a qual observamos algo, dificulta encontrar e analisar
detalhes.
Fissuras, pequenas pragas, arestas mal aparadas ou porcas caídas simplesmente
desaparecem.
Quando transportamos esse ponto de visão à esfera administrativa, a
gestão do déspota que por não confiar na capacidade de auxiliares, ignorando
suas informações, evitando delegar iniciativa nas atividades de escalões
inferiores, fica enfraquecida. O êxito no desenvolvimento, truncado. O
progresso diminui em sua amplitude e velocidade.
E justamente por não ser possível enxergar a ação de pragas ou fissuras
do alto do trono do poder, boas propostas acabam ruindo.
Apenas um exemplo
prático:
Há poucos
anos relatei à direção de um parque, o surgimento de alguns indivíduos de
espinho-de-roseta; uma planta rasteira que se manifesta no início do verão em
áreas de circulação nos gramados.
Por conhecer
a dificuldade de transitar em áreas com proliferação dessa planta, sugeri seu
controle logo de início, sabendo que sua disseminação é rápida. Como a
informação foi desconsiderada, medidas drásticas e onerosas precisam ser tomadas.
E como maior prejuízo, o uso do parque tornou-se desagradável justamente nos meses de maior proveito. Do alto ou de longe, os espinhos parecem apenas um belo gramado.
Aqueles que investem na formação de discípulos sempre terão larga
vantagem sobre aqueles que regem com mão de ferro a sua empresa ou mesmo sua
congregação.
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