Minha opinião é que a arte precisa interagir influenciando as pessoas. Acalmar os inquietos ou inquietar os acomodados. Como numa pregação. E isso requer mais inspiração do que transpiração.
E nesse contexto filosófico-ideológico, recebi a incumbência de pintar um quadro.
Arte por encomenda.
Se é encomenda, há um prazo - e a inspiração não te visita conforme a pressa.
Apenas os detalhes: 0,80 x 1,20m. Ficará à mostra numa lanchonete de um hospital em Curitiba.
Por experiência própria, sei que a mente de alguém num ambiente hospitalar dificilmente pode ser alcançada. Por vezes a dor causa perturbação em um volume ensurdecedor. Mesmo a dos entes ou profissionais que acompanham o enfermo.
Da mesma forma que uma música por falta de conteúdo ou harmonia acaba se convertendo em barulho, um quadro quieto pendurado numa parede pode vir a ser apenas um borrão. Poluição.
E assim, a sequencia do raciocínio foi: lanchonete>alimento>custo.
Acompanhar um enfermo sempre acarreta despesas inesperadas. Recursos nem sempre disponíveis. Seria ótimo ganhar o lanche. Mas a multiplicação dos pães não é um aplicativo de celular e para alguns, o próprio Cristo é pura invenção.Que diferença faz o fato dEle ter se importado com aqueles ao seu redor? Qual é o cristão que se importa com as pessoas ao seu lado numa lanchonete de hospital?
Lá se vai o dobro desse tempo sem pegar em tinta óleo para tela.
E nos primórdios das pinceladas em tela, Seu Narloch me orientou: "Tela não é fotografia! Você precisa passar a ideia com poucas pinceladas. Adote um estilo - vale mais do que a assinatura".
Minhas telas passaram a ser pintadas em pinceladas apenas verticais e geralmente com uma fonte de luz que expande de forma concêntrica - não gradiente.

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