Provavelmente aquele tronco de árvore era usado pelo
ferreiro para demonstrar a qualidade e o fio dos seus machados, mas para o
velho guerreiro serviu como um sofá de uma sala de espera.
Esperas sempre são difíceis. Incompreendidas. Indefinidas.
Irritantes. Intoleráveis.
Mas o tronco ofereceu o conforto necessário. No duplo
sentido da palavra. Conforto. Consolo. Comodidade.
Entre o aparente antagonismo do ”i” de insuportável o
inexplicável “c” culmina curiosamente,
numa conveniente calmaria para concatenar conclusões.
Ainda assentado puxou com dificuldade sua espada da bainha,
observando um lastimável estado. Outrora afiadíssima, agora mostrava marcas de
golpes em outras espadas. O brilho nos combates, agora inibido pelo indício de
ferrugem da inatividade.
Algo dentro dele contribuía com coragem. Esperanças que o levaram de volta ao ferreiro
que a forjara. Porém, o vigor das suas mãos já não respondia convenientemente
na empunhadura e a espada voltou para dentro da bainha.
Em suas mãos também havia marcas. Cicatrizes que contavam calorosas
vitórias.
Sempre combateu o inimigo de frente, mas a proteção da
couraça limita-se ao peito e isso não impediu de sofrer nas costas os golpes
mais doloridos: os dos próprios companheiros de batalha.
Incisões da
indiferença, inaptidão, imprudência, impropérios imerecidos, inveja,
irracionalidade, ira incauta ou induzida. Indignado imaginou-se imerso em
imposições imundas.
Com cordialidade, o tronco contribuiu calado.

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