Cansado de ser incomodado por uma mosca que me perturbava em meu quarto durante a recapitulação de psicologia, abri a janela para que ela
saísse.
Foi um grave erro.
Um enxame de outras adentrou fazendo um
show alucinante de acrobacias ameaçadoras ao meu redor. E eu não consegui
entender o motivo – havia tomado banho e escovado os dentes, além de outros
detalhes de higiene íntima de descrição desnecessária.
Eu já havia chegado à conclusão de que todo professor de
psicologia necessita impreterivelmente de tratamento psiquiátrico. A insanidade
de Freud, Piaget e Vygotsky deve ser contagiosa e eu hesitava entre o entender
a aula do dia ou vacinar-me com algumas doses de leitura de Tio Patinhas.
Mas a mosca era persistente e me convenceu a abandonar a
recapitulação.
Foi o grave erro dela.
Sou
hábil em capturá-las.
Assim que a nocauteei, tive o cuidado de prendê-la na
esquadria da janela com fita adesiva transparente e descarregando meu
descontentamento pelo inconveniente, peguei uma lupa fazendo o sol convergir
seus raios e fritar o inseto de forma a encher meu quarto com o cheiro da
vingança.
A reação imediata da Esquadrilha de Belzebu* foi bater em
retirada. Nem me passou pela cabeça que isso poderia ser um repelente tão
eficiente.
*do nome hebraico Ba’al Zebub considerado o Senhor das Moscas
CONCLUSÕES
1 – Higiene é importante, assim como o silêncio. Boca
fechada não entra mosca.
2 – O estudo da psicologia não afugenta pragas.
3 – Quando algum semelhante fritar ao seu lado, fuja!
4 – Continue mantendo a sanidade lendo Tio Patinhas.
5 - ... nem pra mim
mesmo interessa qual é o quinto ítem!
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