O profeta – um desses que existe aos montes por aí –
observou atônito pelas costas o estado lastimoso de uma mulher que agachada
entre os arbustos catava um gafanhoto.
Aproximou-se e cheio do espírito e dedo em riste anunciou!
- Eis
que te digo: O Sol da Justiça brilhará sobre tua vida. Deus tem um grande plano
para tua vida.
A mulher levantou-se e surpreendeu o profeta ao apresentar
sua face barbada. Sem mesmo ter se recuperado do primeiro susto, o profeta viu
horrorizado aquele ser mastigar e engolir o pobre inseto.
-
Arreda satanás! Em nome de Jesus eu te repreendo! Saia daí!
O profeta percebeu ter cumprido sua missão de libertação ao
ver aquilo arrotar, sorrir e afirmar:
- Jesus.
Ele é o Filho de Deus.
A voz era de um homem. Talvez os cabelos longos o tenham
confundido, mas aquelas roupas eram certamente inadequadas. Miseráveis.
Alegremente o profeta continuou orientando o neófito
ensinando que o crente deve ser cabeça e não a cauda. As escrituras lhe
garantiam inúmeras promessas de vitória e o segredo de uma vida próspera, bem
sucedida está na generosidade das ofertas. “Dai e ser-vos-á dado boa medida,
recalcada, sacudida, transbordante”.
O estranho não dispunha de alforje, mas alegremente
ofereceu-lhe um frasco contendo mel silvestre.
- “Na mão direita, a sabedoria
garante a você vida longa; na mão esquerda, riquezas e honra”, citou o profeta.
Evidentemente aquele ser humano precisava de uma vida digna, e convidou-o a
frequentar cultos. Pensou em recomendar-lhe o uso de terno e gravata como
convém a um embaixador do Altíssimo. Mas contentou-se a recusar o convite do
estranho a presenciar um ritual num rio onde um Nazareno seria submergido.
Pobre homem.
A ligação entre demônios e águas
é lendária e assim a origem de toda a sua perturbação mental estava explicada. Seu
encarceramento foi justo por ter acusado uma autoridade instituída por Deus. Ou
teria sido uma oportuna correção divina por ter xingado os lideres da igreja
chamando-os de raça de víboras.
Mas o profeta ficou satisfeito por
acertar sua revelação prenunciando a honra ao estranho, pois mais tarde soube
que a sua cabeça foi oferecida em um prato a uma rainha.
Meu, simplesmente genial. Sem mais.
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